Roendo as Unhas

Opiniões, interpretações e crônicas do jornalista gaúcho Luís Eduardo Amaral (Duda Amaral) sobre os principais assuntos da atualidade.

2

de
julho

Um novo blog

          Aos internautas que ainda acessam o blog Roendo as Unhas por este endereço: desd o dia 30 de junho, ó meu blog está com um novo provedor em um novo endereço: http://blogroendoasunhas.blogspot.com, mas também é possível acessar o site pelo www.roendoasunhas.com.br.

          Os motivos desta troca vocês poderão observar na nova página, que agora tem um layout mais limpo e moderno. Lá, há um contador de visitas e a possibilidade de moderar os comentários e divulgar enquetes semanais para aumentar a interatividade com os nossos leitores.

          Convido a todos para acessarem o novo www.roendoasunhas.com.br e lerem postagens antigas que estavam arquivadas as quais estou, aos poucos, colocando novamente à disposição para serem lidas. Entre elas, temos a seção O que estou lendo? com a resposta de santanenses sobre os livros que estão (ou estavam) lendo. Também temos seções sobre política, esporte, futebol e resenhas literárias. Em breve teremos muitas outras seções e também colaboradores. Portanto, entrem lá no novo blog Roendo as Unhas e leiam os textos, comentem, respondam a enquete e avisem os amigos.

          Obrigado…

28

de
junho

O que fizemos de nós?

 

          Um dos clássicos contemporâneos mais lido da literatura brasileira foi escrito pelo jornalista Zuenir Ventura, um dos melhores repórteres do país entre os anos 60 e 70. Era o livro 1968 – O ano que não terminou. A obra foi lançada em 1988 quando os acontecimentos descritos completavam duas décadas. Agora, mesmo ano e mesmo jornalista aparecem juntos novamente em 1968 - O que fizemos de nós?

          O novo livro de Zuenir faz uma ponte entre o presente e o passado, época das barricadas em Paris, das manifestações contra a Guerra do Vietnã, da Passeata dos Cem Mil e do AI-5. Um ano que marcou a vida de muitas pessoas de forma trágica, por passeatas, torturas, prisões, desaparecimentos e muita luta, um ano que despertou o interesse dos jovens na participação política e produziu essa geração de líderes que vimos hoje nos países do mundo ocidental.

          Enfim, o escritor apresenta a herança do mais polêmico ano do século XX. O autor está em sua melhor forma e o resultado só poderia ser surpreendente. Como se não bastasse, o novo livro ainda tem depoimentos inéditos de Caetano Veloso, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Gabeira, Franklin Martins, José Dirceu, entre outros.

          O lançamento de mais uma obra sobre 1968 demonstra o quão verdadeiro é o título do clássico escrito por Zuenir: “O ano que não terminou”. Realmente parece não terminar nunca a inspiração que tal época produziu em muitos historiadores, jornalista, artistas, escritores, principalmente em Zuenir Ventura.

          É uma excelente oportunidade para jovens e adolescentes deste novo milênio conhecerem e aprenderem um pouco sobre as experiências da geração de seus pais, até para notarmos o quanto deixamos a desejar em termos de luta e participação na sociedade. Assim como para aqueles que vivenciaram profundamente 1968 recordarem do que enfrentaram e recuperarem seus espíritos contestadores.

28

de
junho

Grenal IV

          Falei que este Grenal poderia marcar a despedida do zagueiro Sidnei, guri aqui de Alegrete, da equipe do Internacional. Porém, nem isso chegará a acontecer já que o atleta foi negociado e não pertende mais ao clube da Beira-Rio. Hoje não tem mais jogador bom fazendo carreira nos clubes brasileiros. Ou ficam no máximo dois anos quando ainda estão começando ou voltam para mais dois anos antes da aposentadoria. Até existem casos de jogadores querendo sair da reserva de um time europeu para conseguir contrato melhor que aceitam ficar seis meses num Grêmio, Inter ou outro clube brasileiro para, então, retornar ao milionário futebol da Europa. 

26

de
junho

Um horror em três cores

          Os torcedores tricolores e grande parte da imprensa carioca já davam como certo o título do Fluminense na Libertadores. Era um sentimento geral de oba-oba, faixa de campeão a venda nas bancas do Rio e muita gente já pensando no confronto com os ingleses do Manchester lá no Japão em dezembro. O clube até pode conseguir o título na próxima quarta - inclusive irei torcer bastante - mas a situação complicou bastante. Os brasileiros terão de virar os 4 a 2 sofridos no Equador.

          Aqueles primeiros 45 minutos do jogo foram mais que suficientes para quebrarem o salto alto do Fluminense. Era um verdadeiro filme de horror passando na frente dos zagueiros tricolores. E a situação não virou um desastre total por dois motivos: primeiro pela grande atuação do goleiro Fernando Henrique e, segundo, porque o juiz encerrou a etapa inicial. Caso contrário, o horror poderia virar a morte não anunciada. 

25

de
junho

Dois magos da literatura

          “Não sei qual será a minha reação ao ler o que estará escrito nessa biografia. Mas na capela que neste momento está diante do meu campo de visão existe uma frase escrita: ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’. No fundo, foi por esta razão que aceitei ter a minha biografia escrita: para que eu pudesse descobrir outra face de mim mesmo. E isso me fará sentir mais livre

Paulo Coelho 

 

 

          Dois magos da literatura brasileira uniram-se em apenas um livro. Como? Um deles, o craque das biografias no país, escreveu a história da vida do outro, que é um dos escritores mais lidos do mundo. Juntos, Fernando Morais e Paulo Coelho têm tudo para estarem envolvidos mais uma vez em um sucesso do mercado editorial, talvez venha aí o livro mais vendido do Brasil neste 2008.

 

          Ainda mais quando o biografado não faz nenhuma exigência no trabalho e permite que o escritor vasculhe suas gavetas, intimidades e ainda tenha acesso a um baú lacrado há muitos anos onde Coelho escondia seus diários que deveriam ser queimados após sua morte. Depois de quase dois anos mergulhado no livro O Mago (Editora Planeta, 632 páginas), Morais praticamente teve de recomeçar a obra.

 

          Fernando Morais é autor também de Transamazônica; Olga, que foi levado para a tela do cinema pelo diretor Jayme Monjardim em 2004; Chatô, o Rei do Brasil; Na toca dos Leões; Montenegro; entre outros. Recebeu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de não-ficção em 2001 com a obra Corações Sujos.
Já Paulo Coelho, que ficou conhecido por sua parceria na composição dos principais sucessos do roqueiro Raul Seixas, é o escritor brasileiro vivo que mais vende livros no mundo - já ultrapassou a casa dos 100 milhões de exemplares - e o mais traduzido da atualidade. Coelho é autor de 19 obras, entre elas o Diário de um Mago, O Alquimista, Brida e As Valkírias. O mais recente, lançado no ano passado, é A Bruxa de Portobello.

 

          No entanto, muito mais que as histórias de seus livros, a sua própria biografia deve ser algo além do pensamento dos escritores de ficção. Paulo Coelho foi um menino que nasceu morto, flertou com o suicídio, sofreu em manicômios, mergulhou nas drogas, experimentou diversas formas de sexo, inclusive o homossexualismo, encontrou-se com o diabo, foi preso pela ditadura, ajudou a revolucionar o rock brasileiro, redescobriu a fé e se transformou em um dos escritores mais lidos do mundo. O Mago tem todas as virtudes de um livro inesquecível e clássico, tanto pelo autor quanto pelo personagem.

25

de
junho

Grenal III

          Uma rápida informação e uma opinião do blog Roendo as Unhas. O juiz escolhido para apitar o Grenal de domingo no Estádio Olímpico às 18h não será nem Leonardo Gaciba e tampouco Carlos Simon. A CBF definiu o mineiro Alício Pena Junior como árbitro do clássico. Mesmo sem ter a fama de outros colegas por manter uma boa regularidade, Alício está mostrando muita tranquilidade e competência nos seus últimos desafios. Entre eles, a final da Copa do Brasil em Recife entre Sport e Corinthians. Tanto o Grêmio como o Inter ficaram satisfeitos com a indicação.

 

          Os olhos dos torcedores até poderão estar atentos nas jogadas do tricolor Roger e do colorado Alex ou quem sabe nos arremates de Nilmar e de Perea. No entanto, estarão nas defesas as principais revelações do ano da dupla Grenal e que deverão incrementar os cofres dos dois clubes na janela de transferência para a Europa no mês de agosto. Os zagueiros Léo, do Grêmio, e Sidnei, do Inter. Dois jovens de futuro promissor, qualidade do nível de defensores da Seleção Brasileira (até não é muito difícil) e que já estão se despedindo de suas respectivas torcidas. O zagueiro gremista com um pouco mais de experiência em Grenais, inclusive com um gol em sua estréia, ano passado. 

25

de
junho

Notícias aqui do Uruguai

          Duas notícias interessantes como também muito importantes a cerca de nossos vizinhos uruguaios. Tudo é meio recente ainda e nos próximos dias e nas próximas entrevistas das autoridades daquele país deveremos ter maiores esclarecimentos. De qualquer forma, vale aqui o registro.

          Em visita ao México, o presidente uruguaio Tabaré Vazquez realizou um convite formal ao presidente mexicano Vicente Fox para o país da tequila e do grupo Maná ingressarem no bloco econômico do Mercosul. Seria uma grande conquista para os países aqui do Cone Sul sem dúvida. É esperar para ver a reação dos mexicanos e, principalmente, dos norte-americanos.

          A outra notícia vinda do lado de allá é o anúncio do Governo Uruguaio da existência de reservas de gás natural e, possivelmente, também reserva de petróleo no litoral do país. Seriam dois campos, um chamado de Punta del Leste e outro denominado de Pelotas, que ficaria justamente na divisa entre os mares do Uruguai e do Brasil. Algo me diz que em breve o Governo Brasileiro também anunciará reservas de gás no Rio Grande do Sul.

24

de
junho

Mais que uma Primeira-Dama

 

          A própria antropóloga evitava ser chamada de Primeira-Dama, além de trabalhar fundo em questões sociais e até nas decisões políticas do governo de ser marido, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para tentar fugir desse rótulo que ela considerava muito norte-americano para descrever simplesmente a mulher do presidente.

 

          Desde Sarah Kubitschek o Brasil não tinha uma… digamos, primeira-dama tão influente e ativa como a dona Ruth Cardoso. E seu valor torna-se mais alto quando notamos hoje a valorização das mulheres dos grandes líderes mundiais mais por sua beleza que por sua competência. Dona Ruth nunca foi lembrada por sua beleza como atualmente existe um frenesí pela primeira-dama Carla Bruni. Tampouco esteve apenas como decoração ao lado do marido como a maioria, inclusive as brasileiras, das mulheres. Ela foi ativa, ainda que discreta, e teve influência em muitas decisões de FHC e do PSDB.

 

          Foi Ruth Cardoso quem influenciou o então presidente lançar o nome de José Serra para a sua sucessão. Também foi dela os argumentos para seu marido nomear Gustavo Krause e Reinhold Stephanes como ministros de seu governo. Durante os oito anos de Fernando Henrique no Planalto, ela lançou e comandou o programa Comunidade Solidária, principal cartão de visita do Governo FHC nas questões sociais junto com a Bolsa Escola.

 

          Ruth Cardoso estava casada com o ex-presidente Fernando Henrique havia 56 anos. Durante o regime militar, o casal esteve exilado no Chile e na França. Antropóloga de formação, foi professora nas universidades de São Paulo, Chile e nas norte-americanas Columbia e Berkeley. Publicou vários livros sobre antropologia e tendo como temas a imigração, os movimentos sociais, a violência e o trabalho. Antes mesmo de sua morte, Dona Ruth já era uma referência como autora nos cursos de Antropologia de todo o país.

 

           A ex-primeira-dama morreu nesta terça-feira, por volta das 20h40min, aos 77 anos. Ela nasceu na cidade de Araraquara, interior de São Paulo, no dia 19 de setembro de 1930. Na semana passada, ela realizara exames no Hospital Sírio Libanês devido problemas cardíacos. Ela sofreu um infarto e morreu no apartamento da família, bairro Higienópolis, São Paulo, ao lado do filho Paulo Henrique. Por evidente merecimento, Brasil deverá conceder três dias de luto em sua homenagem.

24

de
junho

Grenal II

          Não é fácil a vida de jornalista esportivo no Rio Grande do Sul quando há uma semana inteira de espectativa para o início do Grenal de domingo e muito pouco para ser dito. Se em Porto Alegre ainda houvesse uns quatro clubes de ponta como em São Paulo ou Rio de Janeiro, até seria mais fácil, mas não é assim. Aqui, todas as notícias concentram-se em apenas duas instituições, imagina então quando as duas estarão na mesma partida da rodada seguinte?

          As reportagens acabam batendo na mesmice. Até sei que alguns dos editores esportivos dos jornais gaúchos acabam bisbilhotando os arquivos para encontrarem alguma pauta interessante. Normalmente, não acham. É como o Caderno Donna de Zero Hora no mês de maio: sempre haverá uma edição exclusiva para as noivas com as mesmas dicas do ano passado. Ou então como aqueles cadernos especiais de A Platéia: as mesmas matérias com os mesmo erros repetindo-se ano após ano.

          Entre tantas repetições de pautas, achei uma notícia hoje de tarde no site da RBS curioso. Inclusive fui surpreendido com a informação. Segundo a matéria e levando em conta as equipes escaladas por Inter e Grêmio nos seus últimos jogos, apenas dois gaúchos deverão estar em campo. É isso mesmo, entre os 22 atletas que deverão iniciar o Grenal só os colorados Renan (Viamão) e Sidnei (Alegrete) são nascidos no Rio Grande do Sul. Por outro lado, os treinadores da dupla também são gaúchos, naturais de Caxias do Sul.

22

de
junho

Brasil e Fórmula 1: início de namoro

          A Fórmula 1 e o Brasil voltam a namorar depois de 17 anos de relação distante, balançada. Foi no distante ano de 1991 que o mito Ayrton Senna conquistava o tricampeonato mundial da categoria. Três anos após essa festa, o silêncio e o luto tomaram conta de uma nação.

          Desde então, por mais que a torcida brasileira empurrasse e fizesse figa, o representante com mais chance de voltar as unir a Fórmula 1 com as cores do Brasil, Rubens Barichello, não teve competência, talvez falta de sorte mesmo. O vácuo aumentava, e a modalidade de automobilismo mais vista no mundo parecia afastar-se da tradição brasileira de oito títulos (três com Senna, outros três com Nelson Piquet e dois com Emerson Fitipaldi).

          Está certo que na Fórmula 1, o hino italiano deve ser o mais executado da história, e continua assim a cada prova onde a escuderia Ferrari acaba vencendo. E os últimos anos foram assim, entre os hinos da Alemanha e da Itália, nenhuma conquista brasileira. Talvez nem venha acontecer o tão desejado e esperado nono título mundial da categoria para o nosso país. Porém, ao menos deste vez, temos um piloto com competência, sorte, carro e uma tremenda força de vontade.

          Depois de mais de duas décadas, graças ao bravo Felipe Massa, o Brasil vence o GP da França. Depois de 15 anos, o Brasil volta a liderar um campeonato da modalidade. E, quem sabe, depois de 17 anos, Felipe Masse venha a enterrar a dor pela perda do ídolo Senna e faça o Brasil voltar a sorrir e festejar nos domingos de manhã (e de madrugada) com mais uma conquista nacional. E esperar, mas este início de namoro pode virar um casamento lá no final do ano e o hino do Brasil venha a dividir as honras com o da Itália… é só esperar e torcer!   

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