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“Uma criança olha para o pai e mãe como se olhasse para o caminho a seguir no futuro. Por isso, senhores pais, pensem bem antes de falar ou fazer alguma bobagem na frente delas”
Não, não pensem que este texto de título sugestivo fala das maracutaias da política brasileira onde as coligações servem mais para dividir o poder e os cargos entre adversários do que gerar o bem comum à sociedade. Aqui falo de minha mais recente experiência, falo das alianças que simbolizam a união entre um homem e uma mulher e o surgimento de uma nova família. Do amor e da cumplicidade que levam dois jovens descobrirem-se numa certa idade da vida e prometerem um ao outro viverem juntos pelo resto de suas existências. Pois desde a noite da última sexta-feira, dia das crianças, passei a ser um homem comprometido, responsável e, muito acima disso tudo, um homem realizado e feliz. Apaixonado já estava.
De agora em diante, pertenço a uma nova família da qual tenho metade das rédeas de seu destino. Agora somos apenas dois, mas a lógica e a vontade própria é de que mais gente venha a integrar esta nova família em breve. Desde quando nascemos, somos integrantes de um grupo unido por sangue, criação e amor. Quanto maior o sentimento de carinho entre os seus componentes, maiores serão as chances de realização profissional e pessoal de quem faz parte desse grupo. Por outro lado, onde só existe desprezo, egoísmo e indiferença, não há como surgirem pessoas de caráter elogiável. Está certo que temos o vício de criticar jovens bêbados voando em seus carros importados nos finais de semana, mas a crítica não deveria ser direcionada também a seus pais? Os adolescentes envolvidos com drogas e acidentes de trânsito por imprudência são resultados do modelo que está sob o mesmo teto. Uma criança olha para o pai e mãe como se olhasse para o caminho a seguir no futuro. Por isso, senhores pais, pensem bem antes de falar ou fazer alguma bobagem na frente delas.
Essa mesma teoria vale para marginais, políticos corruptos, criminosos, vagabundos, pessoas violentas, entre outros tantos tipos de seres humanos. A sua origem está no exemplo (ou na falta desse bom exemplo) dado por sua família. Se bem que muitas pessoas tornam-se desviantes de seu meio justamente pela falta de uma família. Mas o grande problema desse grupo ligado por sangue é que eles continuam sendo formados, mas desvalorizados. Parece até um discurso religioso ou de pré-ditadura militar, mas é a pura verdade crer que o caráter de um indivíduo está na forma como ele foi tratado dentro de sua casa e por seus familiares.
Outro dia tive a prova de que as famílias de hoje não possuem a boa virtude de conversarem entre si, do marido saber como foi o dia da mulher; da mulher mostrar interesse no dia do marido, os dois pela rotina dos filhos e assim por diante. Ela fica hipnotizada na televisão, ele grudado nas páginas de jornal e os filhos no computador. Aí, então, um deles reclama para o IBGE que sua família não foi recenseada. Eis que sempre alguém da casa respondeu o Censo, mas não contou para os demais que havia atendido o recenseador. É um pequeno exemplo de como as famílias estão maltratando a si mesmas. Eu, por outro lado, vou esforçar-me para fazer diferente. Os noivos, quando colocam as alianças no dedo anular da mão esquerda, estão colocando um compromisso em suas consciências: de estarem unidos, compartilhando alegrias, tristezas, amigos, prazeres e confidências, ou seja, o problema de um, deve ser problema de ambos, e a felicidade do outro, deve alegrar também a ambos. Assim deveriam ser as novas famílias, pois assim teríamos uma sociedade muito melhor.
“Só espero que o PP e o PSB cobrem judicialmente as vagas que perderam aqui em nossa cidade. Vai demorar? Poderá acabar o mandato antes da decisão judicial? Tudo bem, no entanto, os partidos também devem fazer por merecer as suas vaguinhas”
Já imaginaram a torcida gremista pagando ingresso para ver uma partida do clube contra o tradicional inimigo e, para surpresa geral, ao invés de onze atletas vestindo o uniforme tricolor, saem do túnel nove gremistas e dois colorados infiltrados no time? Já com a bola rolando, os onze jogadores do Inter terão a ajuda dos desertores remunerados pelo clube traído para ganhar a partida. Pois isso é a tal infidelidade, a mesma cometida por um homem ou mulher quando possui relações amorosas fora do casamento, a mesma ação cometida por centenas de políticos brasileiros em benefício próprio, jogando o respeito e a cidadania dos eleitores que lhes confiam os votos na lata do lixo.
Aqui em nosso município, o adultério partidário costuma inclusive ser a regra entre nossos representantes. Para termos uma singela amostra da falta de convicção dos políticos locais basta citarmos os atuais dez vereadores, além dos prováveis candidatos a prefeito nas próximas eleições. Wainer Machado iniciou no PT e hoje é um dos líderes do PSB. Solimar Charopem está no PTB há vários anos, mas já defendeu as cores do PDT e PTdoB. Elifas Simas também fez carreira sob a sigla trabalhista e hoje está nas trincheiras petistas. É bem possível que apareçam mais na frente os candidatos do Partido Verde e do Psol, mas é certo que serão nomes provenientes de outras siglas.
E os nossos econômicos e competentes parlamentares? O percentual é de 30%. Mas não pensem que este é o percentual de infiéis lá na Câmara. Bem pelo contrário, são apenas três os vereadores da atual legislatura que ainda não trocaram de partido. Mas não trocaram agora nos últimos dois anos, destaca-se. E sabe-se lá o que iremos encontrar se inventarmos de pesquisar a vida política deles. Porém, diante da regra habitual do troca-troca promovido por nossos representantes, é até compreensível aplaudirmos João Batista Conceição (PSB), Doralício Lopes (PTB) e Guilherme Elguy (PP) por manterem a convicção ideológica de 2004. Deixando de lado discussões políticas, sugiro aos três prosseguirem dessa forma, pois faz parte do bom caráter de um homem de sucesso ter e manter opiniões firmes sobre o que lhe rodeia.
Quanto aos demais sete vereadores, deixo expresso minhas lástimas. Desde criança aprendi a torcer por um único clube de futebol, a cantar um único Hino Nacional, a exibir o lenço branco ou vermelho e a ter uma única família. Mas na visão dos políticos, os gaúchos podem vibrar para Grêmio e Inter ao mesmo tempo, cantar quantos hinos possíveis, utilizar uma cor de lenço a cada hora e destruir uma família para montar outra. Para estes, estatuto do partido, ideologia do eleitor, votos de uma legenda, nada disso vale. O que importa para os infiéis das urnas é aumentar suas chances de conquistarem cargos na administração ou cadeiras no legislativo graças aos votos da sigla que estiver navegando a favor dos ventos. É impressionante como a turma “ética” do PT fincou pé contra a retomada pelos partidos de origem das vagas dos parlamentares infiéis.
Faz tempo que sou insatisfeito com a atuação do Poder Judiciário - e principalmente aqui no Rio Grande do Sul, onde pretere sua população em prol da defesa de seu intocável orçamento - mas a Justiça está agindo onde seria dever dos legisladores, que preferem olhar para o alto, assobiar e dar de ombros para o povo como se nada tivesse a ver com eles. Mas a orgia do troca-troca acabou finalmente. Só espero que o PP e o PSB cobrem judicialmente as vagas que perderam aqui em nossa cidade. Vai demorar? Poderá acabar o mandato antes da decisão judicial? Tudo bem, no entanto, os partidos também devem fazer por merecer as suas vaguinhas.
“Como já diz o ditado: a realidade supera a ficção. E, na vida real, o vilão é muito mais forte e cruel do que o bandido da novela”
Sexta-feira passada, cerca de 21h, o país parou para esclarecer uma dúvida crucial em seu destino. Sites colocavam listas para seus usuários votarem, as rodas de conversa entre mulheres e até entre homens debatiam a mesma dúvida, até nos jogos de futebol transmitidos pela Rede Globo havia torcedores exibindo cartazes com suas opiniões. Todos falavam e apostavam quem seria o assassino da gêmea Taís, a mais recente tentativa dos autores de novela em superar o fenômeno da morte de Odete Roitmann.
Confesso que entrei na brincadeira por alguns minutos na tarde de sexta com minha indicação passando pelo Belizário, Tatiana, Antenor, cheguei a pensar na existência de um final criativo e fora daquele tradicional enredo de casamentos e nascimentos no último capítulo com a revelação surpreendente da Paula como assassina, mas meus palpites encerraram no Ivan. O autor foi honesto com a história e tornou o bandido mais bandido ainda, elevando o Wagner Moura a artista do ano no Brasil com sua performance impecável na pele do vilão Olavo.
Nada demais em discutir as tramas da teledramaturgia brasileira, um dos produtos de maior sucesso de consumo e exportação de nosso país. Tem quem goste e quem não goste, mas a novela é cultura, sim senhor, e ainda consegue colocar desde a madame mais rica de Alphaville, em São Paulo, até a mulher mais miserável do sertão nordestino na frente da TV. E todas estavam ansiosas pelo capítulo derradeiro de sexta para conhecerem o matador de Taís. Como disse, nada demais em discutir novela no Brasil, assim como nada demais em discutir futebol.
Porém, nós, brasileiros, não mostramos essa mesma virtude de acompanhar com entusiasmo e indignação histórias por meses a fio que poderiam ser exibidas em dez dias ou partidas onde ninguém faz um mísero gol durante 90 minutos quando o assunto é política. Desde o capítulo no qual morreu a vilã Taís até sexta passada, ninguém falava outra coisa. No entanto, foi passar apenas 48 horas daquela vergonhosa votação no Senado onde o vilão Renan Calheiros (PMDB) foi absolvido para ninguém mais querer conhecer os assassinos de nossa democracia.
Nós, brasileiros, mostramos um interesse demasiado em querer saber quem matou Taís, mas poucos, raríssimos, mostraram um décimo desse mesmo interesse em conhecer os nomes daqueles 40 senadores que aceitaram e absolveram os crimes comprovados de um vilão alagoano digno de comparação com o personagem interpretado por Wagner Moura. Quase todos nós, brasileiros, já esquecemos as promessas não cumpridas do Presidente Lula, da Governadora Yeda e do Prefeito Wainer. É uma pena não termos a mesma vontade em conhecer antes de uma eleição quem serão os secretários dos candidatos a prefeito e a governador como tivemos em querer saber o nome do assassino de Taís.
É uma pena não grudarmos os olhos e ouvidos nas notícias de rádio e TV para descobrirmos onde será investido o dinheiro da CPMF como a maioria fez para ouvir as últimas informações sobre as gravações do final da novela. É uma pena que todos já saibam quem matou Taís, mas ninguém ainda descobriu o nome dos 40 senadores que votaram contra o Brasil para manter um Olavo da vida na terceira mais importante cadeira do país. Como já diz o ditado: a realidade supera a ficção. E, na vida real, o vilão é muito mais forte e cruel do que o bandido da novela.