Roendo as Unhas

Opiniões, interpretações e crônicas do jornalista gaúcho Luís Eduardo Amaral (Duda Amaral) sobre os principais assuntos da atualidade.

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Opiniões, interpretações e crônicas do jornalista gaúcho Luís Eduardo Amaral (Duda Amaral) sobre os principais assuntos da atualidade.
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Terra Blog

Categoria: Notícias do Brasil

25.06.08

Notícias aqui do Uruguai

          Duas notícias interessantes como também muito importantes a cerca de nossos vizinhos uruguaios. Tudo é meio recente ainda e nos próximos dias e nas próximas entrevistas das autoridades daquele país deveremos ter maiores esclarecimentos. De qualquer forma, vale aqui o registro.

          Em visita ao México, o presidente uruguaio Tabaré Vazquez realizou um convite formal ao presidente mexicano Vicente Fox para o país da tequila e do grupo Maná ingressarem no bloco econômico do Mercosul. Seria uma grande conquista para os países aqui do Cone Sul sem dúvida. É esperar para ver a reação dos mexicanos e, principalmente, dos norte-americanos.

          A outra notícia vinda do lado de allá é o anúncio do Governo Uruguaio da existência de reservas de gás natural e, possivelmente, também reserva de petróleo no litoral do país. Seriam dois campos, um chamado de Punta del Leste e outro denominado de Pelotas, que ficaria justamente na divisa entre os mares do Uruguai e do Brasil. Algo me diz que em breve o Governo Brasileiro também anunciará reservas de gás no Rio Grande do Sul.

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 00:15:51

24.06.08

Mais que uma Primeira-Dama

 

          A própria antropóloga evitava ser chamada de Primeira-Dama, além de trabalhar fundo em questões sociais e até nas decisões políticas do governo de ser marido, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para tentar fugir desse rótulo que ela considerava muito norte-americano para descrever simplesmente a mulher do presidente.

 

          Desde Sarah Kubitschek o Brasil não tinha uma... digamos, primeira-dama tão influente e ativa como a dona Ruth Cardoso. E seu valor torna-se mais alto quando notamos hoje a valorização das mulheres dos grandes líderes mundiais mais por sua beleza que por sua competência. Dona Ruth nunca foi lembrada por sua beleza como atualmente existe um frenesí pela primeira-dama Carla Bruni. Tampouco esteve apenas como decoração ao lado do marido como a maioria, inclusive as brasileiras, das mulheres. Ela foi ativa, ainda que discreta, e teve influência em muitas decisões de FHC e do PSDB.

 

          Foi Ruth Cardoso quem influenciou o então presidente lançar o nome de José Serra para a sua sucessão. Também foi dela os argumentos para seu marido nomear Gustavo Krause e Reinhold Stephanes como ministros de seu governo. Durante os oito anos de Fernando Henrique no Planalto, ela lançou e comandou o programa Comunidade Solidária, principal cartão de visita do Governo FHC nas questões sociais junto com a Bolsa Escola.

 

          Ruth Cardoso estava casada com o ex-presidente Fernando Henrique havia 56 anos. Durante o regime militar, o casal esteve exilado no Chile e na França. Antropóloga de formação, foi professora nas universidades de São Paulo, Chile e nas norte-americanas Columbia e Berkeley. Publicou vários livros sobre antropologia e tendo como temas a imigração, os movimentos sociais, a violência e o trabalho. Antes mesmo de sua morte, Dona Ruth já era uma referência como autora nos cursos de Antropologia de todo o país.

 

           A ex-primeira-dama morreu nesta terça-feira, por volta das 20h40min, aos 77 anos. Ela nasceu na cidade de Araraquara, interior de São Paulo, no dia 19 de setembro de 1930. Na semana passada, ela realizara exames no Hospital Sírio Libanês devido problemas cardíacos. Ela sofreu um infarto e morreu no apartamento da família, bairro Higienópolis, São Paulo, ao lado do filho Paulo Henrique. Por evidente merecimento, Brasil deverá conceder três dias de luto em sua homenagem.

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 23:58:21

20.06.08

Exército vítima e militares criminosos

          O Exército Brasileiro entrou em uma grande enrascada com aquela história de dar proteção às obras da favela Providência no centro da cidade do Rio de Janeiro. A instituição não tem culpa pelo fato de alguns de seus integrantes cometerem o crime de entregar nas mãos de traficantes três jovens para a morte, mas não há como impedir que este caso atinja em cheio a reputação dos militares que até hoje parecem estar ainda pagando os pecados pela ditadura no Brasil.

          Se bem que essa enrascada não foi procurada pela instituição por sua própria vontade, mas sim por acordos políticos da base governista com o objetivo de dar uma mãozinha (ou um batalhão inteiro) à candidatura do Senador Marcelo Crivella (PRB) à prefeitura do Rio de Janeiro. Além de ser ex-oficial do Exército, Crivella é do mesmo partido do vice-presidente José Alencar e principal adversário na capital fluminense de Cesar Maia (DEM), severo crítico do Governo Lula.

          Disse-me um oficial graduado do Exército Brasileiro que há muitas outras ações semelhantes a essa no Rio de Janeiro precisando do apoio da instituição, mas o Ministério da Defesa nem cogita liberar tropas para ajudar nesses casos. Como, então, tropas receberam autorização para dar segurança nas obras de Crivella? Ele também questionou o porquê do tal senador escolher o Morro da Providência para receber o programa quando há lugares mais críticos como as favelas da a Baixada Fluminense? E deu a resposta imediata: é que boa parte da Baixada Fluminense fica na cidade de Nova Iguaçú, enquanto Crivella pretende conquista a prefeitura é do Rio de Janeiro.

          O senador é de todo o estado, mas suas pretensões e suas ações parecem visar somente a capital. Quase passa despercebido o fato de que no Morro da Providência concentra-se a maior parte dos evangélicos do Rio, justamente sua base eleitoral. Por tudo isso, o Exército entrou numa grande enrascada combinada por um senador governista com os ministérios da Defesa e das Cidades.

          Fora a obrigação do tenente que comandava a tropa que entregou as vítimas para a morte pagar por seus atos criminosos, fica uma ponta de incompreensão sobre a imprensa, o governo, os moradores do morro e a polícia não tratarem do bárbaro crime cometido por traficantes, como se eles não tivessem participação vital nessa história. Está certo que pior crime é aquele cometido por quem deveria nos dar proteção, mas a Justiça, os moradores e o senador Crivella não vai pedir a expulsão dos traficantes do morro e a prisão deles como pediram do Exército. Este país está virado...  

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 21:08:55

19.06.08

Eu queria ser parente do Lula

          O advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, deve mais de R$ 2 milhões à União. Ele teria recebido R$ 5 milhões por ter defendido os interesses da VarigLog. Segundo documentos da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional, o nome de Teixeira e de duas empresas da família estão relacionados na dívida ativa da União por não pagarem tributos federais. Em um dos casos, Roberto Teixeira teve seus bens pessoais arrolados como garantia de pagamento da dívida. Isso ocorre quando o débito ultrapassa R$ 500 mil.

          É evidente que se eu, aqui na fronteira entre Livramento e Rivera, ficar devendo uma merreca de algum desses vários impostos que existem no país, com certeza o fisco, o Leão, os tributaristas, Polícia Federal, talvez até mesmo o Exército, ONU, sei lá que mais, virão todos para cima de mim. Agora, se eu fosse amigo ou parente do Tio Lula, o Presidente Popular, dinheiro, dívidas e leis não seriam nenhum problema.

          E o compadre do Lula é apenas mais um na lista particular do nosso Presidente Popular a estar envolvido com negócios "estranhos". Teve o suspeito e mal explicado caso de seu filho, o Lulinha, que de estagiário de um zoológico passou para o seleto grupo de empresários mais bem sucedidos do país, a filha Lurian gastando milhares de Reais com cartões corporativos do Governo, o irmão Vavá fazendo tráfico de influência, e por aí vai... que não acaba mais!       

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 21:55:24

18.06.08

Ídolos brasileiros e ídolos sem pátria

 

 

          Não fazem mais ídolos como antigamente. Não fazem mais ídolos como Ayrton Senna, Oscar Schmidt, Gustavo Küerten, Romário, entre outros de uma época distante. Hoje, mais que dinheiro e fama, a soberba de nossos atletas tomou conta de suas vidas. Mais ninguém – ou poucos já que o Felipe Massa e alguns pupilos de Bernardinho estão aí para contrariar – mostra interesse em defender seu país, a sua nação, com garra e com orgulho. Se atualmente é possível formar uma Seleção Brasileira de futebol ou basquete é só porque há dinheiro e patrocinadores envolvidos – e os craques e cabeças de bagre de hoje adoram mais isso do que as cores de sua bandeira e o som de seu hino.

 

 

          Justamente por isso vimos tantos brasileiros vestindo a camisa de outros países como Portugal, Alemanha, México, Turquia, Polônia, Espanha, ente outros. Por isso, vimos tantos “profissionais” surgindo num clube e defendendo outras quinze equipes antes de aposentar as chuteiras. Por isso, vimos tantos milionários jogadores brasileiros da NBA fazendo careta para sua seleção, seu país, como se fossem norte-americanos e integrantes de algum dream time pronto para receber a medalha de ouro em Pequim.

 

 

          Saudade do tempo quando o Senna nos emocionava desfilando nossa bandeira por autódromos do mundo todo após suas vitórias, bandeira que levava escondida em seu cockpit para fugir das proibições do evento. Quanta saudade do amor de Oscar pelo basquete brasileiro a ponto de recusar insistentes convites do milionário certame da NBA. Só mesmo um sujeito assim para dizer “não” à fortuna norte-americana em troca de sua devoção pela Seleção.

 

 

          Seleção com maiúscula, bem diferente de como devemos listar essa turma do atual basquete: nenê, varejão, leandrinho, valtinho, guilherme, paulão, além da imatura iziane. Quem é essa gente mesmo? Já existem imagens históricas nos arquivos da Rede Globo para nossos filhos e netos lembrarem de seus feitos? Quais foram mesmo os seus feitos? Apenas ganhar dinheiro, lotar os bolsos de Dólares e Euros, pois que aproveitem e façam bom uso do seu dinheiro porque de patriotismo, orgulho e história, eles não entendem nada.

 

          Também não é possível aceitar a atitude do religioso e bom garoto Kaká de considerar seu clube mais importante que sua Seleção. Quem seria Kaká se um dia não vestisse a Amarelinha? Craques que nunca defenderam o Brasil têm milhões, alguns são famosos, a maioria desconhecida. Todavia, nenhum fez carreira excepcional na Europa. Vejam a diferença entre Neto, Marcelinho Carioca, Djalminha de colegas como Falcão, Zico, Romário, Ronaldo e Rivaldo.

 

          Ou seja, por mais talentoso que seja o Kaká, nunca chegaria à elite do futebol mundial se antes não vestisse a pesada camisa do Brasil. E, agora, ele dá as costas deixando entender que o problema é o treinador? Ingratidão é uma ferida difícil de cicatrizar. Nunca um clube será maior que uma Seleção, ainda mais quando se trata da tradicional e pentacampeã Seleção Brasileira.

 

          A maior parte desses atletas argumenta que gostariam muito de representarem o nosso país, mas que a lesão pode agravar e comprometer suas futuras performances. O Romário é um exemplo da bobagem desses hipócritas “estrangeiros”. Quando Romário sofreu uma lesão grave meses antes da Copa do Mundo de 1998, ele garantiu para si e para os torcedores que estaria na Copa da França.

 

          Contratou uma equipe particular com fisioterapeuta, submeteu-se a exaustivos treinamentos (coisa rara para o Baixinho) e fez questão de mostrar na véspera do torneio que estava inteiro, mesmo estando descartado pela comissão técnica. Tudo por sua vontade de vestir a número 11 e fazer os seus gols. O Kaká deveria mostrar essa inteligência rara que lhe atribuem para buscar no badboy o exemplo de caráter e patriotismo de um atleta.

 

          Infelizmente o dinheiro e o tal profissionalismo tomaram conta da cabeça desses jovens atletas brasileiros, mas talvez eles esqueçam que após encerrarem suas carreiras e o dinheiro for apenas um conforto material, todos notarão a falta de algo fundamental em suas vidas: o reconhecimento para a história... e a história é feita de imagens e atos de bravura por seu povo, pelos seus iguais, por sua nação, seu país.

 

          Então, não haverá mais volta. E a Iziane terá de comprar uma poltrona para assistir as Olimpíadas, os guris da NBA deverão tentar a cidadania norte-americana (aqui não farão falta) e o Kaká pode ir rezar e pedir a Deus e Santo Ambrósio de Milão que o recupere o quanto antes, mas é bom ele lembrar de orar em italiano porque seu Deus e seus santos não são brasileiros...

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 01:36:17