Roendo as Unhas

Opiniões, interpretações e crônicas do jornalista gaúcho Luís Eduardo Amaral (Duda Amaral) sobre os principais assuntos da atualidade.

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Terra Blog

Categoria: Música e discografia

17.06.08

Um vozeirão em cinco cores

 

          Não tinha a menor idéia, mas fiquei sabendo que o cantor Jamelão, um dos maiores símbolos da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e que morreu na manhã de sábado e foi sepultado neste último domingo ao som de “Exaltação à Mangueira”, era um torcedor gremista como poucos. Até li e ouvi notícias sobre o tema em jornais gaúchos, mas considerei ser um exagero de nossos repórteres na tentativa de associá-lo com o Rio Grande do Sul de alguma forma. Até porque nas imagens lá estavam as bandeiras da escola de samba Mangueira e do clube de futebol Vasco da Gama.

          Porém, mais tarde, um canal de TV lá do Rio de Janeiro e alguns sites também da capital fluminense informavam em seu obituário durante a cobertura da morte do sambista as grandes paixões de Jamelão, entre elas as mulheres, o samba, a Mangueira, o Vasco da Gama e o Grêmio, única equipe para qual torcia além do clube carioca. E aparecia na matéria o motivo dessa devoção pelo tricolor gaúcho: era o amigo compositor Lupicínio Rodrigues.

          Jamelão gostava de visitar Porto Alegre, segundo ele, por dois grandes motivos: Lupicínio Rodrigues e o Grêmio. E quando alguém lhe perguntava qual das músicas do amigo gaúcho ele mais gostava, Jamelão não perdia tempo pensando, respondia imediatamente: é aquela “até a pé nós iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos...”.

          Sempre torci pela Verde-Rosa no carnaval carioca, mas depois dessa revelação, vou misturar com certeza essas cores com o tricolor do Grêmio para lembrar o grande Jamelão, a maior e melhor voz do samba brasileiro, uma lenda, em cinco cores e um vozeirão.

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 17:44:14

09.06.08

Maná em Porto Alegre

          Um show e tanto na noite deste domingo, numa Porto Alegre tomada pela umidade e por gente de todas as partes do estado, além de argentinos e muitos uruguaios com suas bandeiras e sotaques. Não era para menos, afinal a festa no Galpão Pepsi on Stage, em frente ao Aeroporto Salgado Filho, era por conta da banda mexicana Maná, os precursores do rock latino. Na minha singela opinião (e gostos, cores e amores não se discutem) é a melhor banda da Língua Espanhola. E realizaram duas horas e vinte minutos de um memorável espetáculo.

          O concerto na capital gaúcha era a penúltima apresentação do grupo em sua turnê internacional do show Amar És Combatir. O vocalista Fher Olvera mostrou simpatia pedindo desculpas por estarem quase exaustos de tantos eventos, mas que a platéia da apresentação em Porto Alegre superava em número e empolgação todos os espetáculos anteriores no Brasil. Dessa forma, ele e seus companheiros mostraram os principais sucessos do conjunto e as músicas do último disco, este mais conhecido pelo público brasileiro. A quantidade de uruguaios e santanenses no Pepsi on Stage deve ter ajudado no coro dos hits mais antigos.

          O sucesso da banda no país é ainda recente. Graças em parte a Vivir Sin Aire, música tema do casal de lésbicas interpretado pelas atrizes Alinne Moraes e Paula Picarelli na novela global Mulheres Apaixonadas. No entanto, para os fronteiriços, o Maná é conhecido e festejado desde o início da década de 90 nas pistas do Bar e Noche e nas rádios de Rivera e Livramento. Esta é uma das vantagens de morarmos em região de fronteira: conhecer mais rapidamente a música latina do que o resto do Brasil.

          Sobre o show, pode-se dizer que estavam no palco duas bandas elogiadas por seus repertórios e qualidades musicais, além da grande simpatia que lançam ao público. A abertura esteve por conta dos gaúchos do Nenhum de Nós. E, assim como os mexicanos, em especial o baterista Alex, eles também fazem questão de demonstrar em gestos e garra um forte carinho pelos fãs, mesmo após o encerramento dos espetáculos. O concerto do Maná é daqueles shows de fazerem parte de uma era musical, uma época da história da nossa civilização (assim como os shows de outros tantos artistas de ponta). Bueno, e quem perdeu só pode lamentar...

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 21:54:22