Roendo as Unhas

Opiniões, interpretações e crônicas do jornalista gaúcho Luís Eduardo Amaral (Duda Amaral) sobre os principais assuntos da atualidade.

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Terra Blog

Categoria: Consultório Médico

16.06.08

Oncologia em Bagé

          Se não houver nova polêmica envolvendo o alto escalão do Governo Estadual, Yeda assina o termo de compromisso nesta terça no Piratini de liberação de R$ 500 mil da Consulta Popular para implementação do setor de oncologia da Santa Casa de Bagé. Essa é uma das lutas mais antigas da saúde bajeense, há uns dez anos no mínimo. A solenidade será realizada no Palácio Piratini, a partir das 16h, com a presença do deputado estadual Luís Augusto Lara (PTB) e do provedor da instituição, Mário Mena Kalil.
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  • Postado em 19:00:05

26.12.07

Ecstasy em Livramento?

         Tenho um amigo dono de uma óptica em Sant'Ana do Livramento e uma grande sugestão para ele aumentar suas vendas neste final de ano. Montar um quiosque para comercializar óculos nestas festinhas de Natal e Reveillon. Talvez a Polícia Federal e a Polícia Civil façam vista grossa, mas está rolando ecstasy direto nesses eventos e me parece tão fácil descobrir quem vende, quem facilita o tráfico e quem consome.

 

          Estive presente na noite de segunda para terça festejando o Natal em uma dessas festas e fiquei boquiaberto com a quantidade de gente dançando freneticamente música eletrônica com óculos escuros e com gestos obscuros. Não foram poucas as vezes que vi atitudes suspeitas de dois, três e quatro jovens reunidos nos cantos da pista passando uns comprimidos de mão em mão, enquanto um deles colocava dinheiro no bolso. O tradicional lança-perfume de antigos carnavais virou brinquedo de criança. Agora, a droga é pesada, uma droga pesada que alimenta e é alimentada por festas raves, onde jovens e adolescentes passam por débeis mentais com óculos escuros esperando cinco horas na pista para ver o sol nascer com olhos sensíveis e pupilas dilatadas, beijando garrafas de água mineral para matar a sede.

 

          Deixo aqui uma sugestão para nossos eficientes policiais federais e outra para os pais que devem ficar de noite preocupados com o que seus filhos podem estar fazendo fora de casa nas raves. A primeira é coibir o tráfico justamente por aqueles de óculos escuros nas festas porque eles compram e sabem de quem compram. E a segunda é os pais não darem mais que três notas de R$ 10 para os filhos saírem de noite. Afinal de contas, as festas desta época já tem bebida liberada e, em Livramento, ninguém precisa de R$ 30 para uma grande noitada, além é claro dos débeis mentais consumidores de um alucinógeno que deve custar R$ 100 a unidade. É um absurdo tudo isso.

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  • Postado em 09:01:19

Ecstasy

 

          No início, o ecstasy era consumido pela comunidade gay e pelos freqüentadores das raves, megafestas que reúnem milhares de pessoas ao som de música tecno. Por trás dessa agitação está o movimento clubber, que aos poucos foi conquistando danceterias e boates das cidades brasileiras, principalmente São Paulo. Os clubbers, com seus cabelos coloridos, roupas brilhantes, piercings e tatuagens espalhados pelo corpo, são geralmente jovens de classe média alta, com cacife para desembolsar até R$ 100 por uma única drágea.

 

          É gente com disponibilidade para só sair para dançar depois das três horas da manhã e voltar para casa no meio da tarde seguinte. Dançam até não poder mais ao som daquele ritmo eletrônico de bate-estaca, insuportável aos ouvidos, e em meio a uma profusão de luzes piscantes. O ecstasy tem tudo a ver com esse ambiente, algo parecido com o que um grupo de pessoas busca implantar em Livramentro.

         

          A droga age sobre a química cerebral, e seus efeitos atingem o ápice duas horas depois de ingerida. Internamente, ela permite que o cérebro fique encharcado de serotonina, a substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Os efeitos físicos são notáveis: mãos e boca secas, pupilas dilatadas, hipersensibilidade tátil e aumento da temperatura corporal.

 

          Não é à toa que nas pistas de dança tanta gente chacoalha o corpo com uma garrafa de água ou isotônico na mão – é para matar a sede provocada pelo ecstasy. O uso de óculos escuros também se deve à droga, pois os olhos ficam sensíveis à luz. Muitos usuários tentam se refrescar besuntando as narinas e o peito com Vick Vaporub. E o chiclete é um recurso para estimular a salivação e aliviar a tensão no maxilar. Se os seus filhos estão com estes utensílios de noite, existe o risco deles estarem entre os consumidores de ecstasy.

          

          Com o cérebro trabalhando acima da capacidade normal, eleva-se a atividade metabólica do organismo. Muitos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Livramento, já atenderam pacientes que, após a ingestão da droga, chegaram a 41,5 graus de temperatura corporal. Já morreu gente no Brasil, e em Livramento uma adolescente já foi parar em coma após consumir o tal ecstasy num coquetel de drogas, álcool e sexo (ou estupro) com amigos numa casa de família rica da cidade.

 

          E é muito comum alguns jovens sofrerem uma dissolução irreversível da musculatura de braços e pernas, ou seja, os músculos perderam massa e nunca mais voltaram ao normal. As mortes por ecstasy costumam ocorrer devido a alta de temperatura. O sangue borbulha e simplesmente para de circular. Outro risco da droga é provocar coagulação do sangue, o que obstrui as artérias e leva ao derrame.

 

          Como o consumo do ecstasy é recente, ainda não se tem uma idéia clara de seus efeitos nocivos a longo prazo. Uma suspeita é de que possa comprometer a memória. Para brecar a expansão da droga nos jovens, os Estados Unidos estão atacando as festas raves em seu território. Não acho que seja para tanto, mas que a Polícia Federal deveria estar em cima, disso tenho certeza. É só eles terem vontade de agir. 

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 08:49:40

04.08.07

Estética X Saúde

          Um corpo sarado, durinho, bronzeado, cabelos lisos e compridos, vestindo roupas e utensílios da moda, perfume importado, circulando no carro esporte do ano. Maneiro, né? Se sua resposta for sim, você é mais um dos milhões de brasileiros que colocam a estética em primeiro lugar, antes mesmo da saúde. Esse corpo sarado, durinho, é fruto de algumas cirurgias plásticas, o bronzeado, um tanto amarelado, foi conquistado em alguma clínica de bronzeamento artificial, os cabelos são produtos de dezenas de horas em salões de beleza e meia dúzia de substâncias químicas, as roupas e os utensílios foram consumidos após um bombardeio de publicidade em novelas, revistas e filmes, o perfume é de menos, e o carro foi adquirido com as economias dos últimos oito anos, inclusive precisando alugar algum apartamento de quarto e sala. Vejam que a estética é uma praga. Ela acaba com a saúde e o bolso sem a menor cerimônia. E até onde vai a boçalidade do ser humano nessa corrida desenfreada, em busca de um corpo perfeito, roupas da moda e máquinas tão velozes quanto potentes? Vá lá saber. Eu também tenho preocupações com minha imagem, também sou vaidoso e gasto minutos preciosos diante do espelho colocando cada fio de cabelo no seu devido lugar, cada peça de roupa alinhada com a outra. Enfim, não sou diferente de ninguém, mas isso não me tira a liberdade de criticar os exageros da estética. Muitas vezes, barbaridades.

          Barbaridades como a insanidade de algumas meninas que vivem na periferia de Livramento – e deve acontecer em maior intensidade nos centros mais populosos. Já foram parar no pronto-socorro com um pedaço de arame enferrujado enfiado no meio da língua ou cravado na volta do umbigo. Sabem o que elas pretendiam? Entrar na moda que reza as novelinhas “Malhações” da vida, ou seja, desfilarem para os garotos e as amigas da vila com um percieng dentro da boca ou na barriguinha sarada, mesmo que essa argola seja improvisada com um pedaço de arame por falta de dinheiro. A mesma falta de dinheiro que deixa a barriga delas saradas... mas de fome. A saúde não tem a menor chance contra a estética. Modelos correm riscos diante da anorexia e de cirurgias plásticas em clínicas clandestinas no intuito de serem requisitadas e mandam para o espaço a importância de um organismo saudável. Poucos falam, mas virou rotina a presença de adolescentes de academia de musculação em farmácias por motivos escusos, comprando bem mais que remédios para a gripe. Eles não têm idéia do perigo que correm. A musculação e a cirurgia plástica não são as culpadas por tudo isso, ao contrário, mas as pessoas devem saber usá-las.

          Outros dois bons exemplos da vitória da estética sobre a saúde são os cigarros e os automóveis. Estranho, não? Eu explico. As campanhas de conscientização contra o tabaco mostraram-se ineficazes utilizando o argumento dos riscos do fumante contrair câncer nos pulmões, na garganta, na boca e nas mãos. Por outro lado, mostraram resultados quando o alvo passou a ser o cheiro ruim que o cigarro deixava nas roupas e o amarelo que tomava conta dos dedos e dos dentes. As pessoas preocupam-se mais com a estética do que com a saúde. Penso que um automóvel está para a estética como uma residência está para a saúde. Quando uma pessoa deixa de investir seu dinheiro em uma casa própria e confortável para gastar em um carro importado, por exemplo, está deixando de lado sua vida saudável para desenvolver seu lado narcisista, exibicionista. Essa pessoa quer ser vista em um carrão, e está dando de ombros para onde mora, mesmo que numa casa caindo aos pedaços e tomada por fungos e ácaros. Quem sabe, seja mesmo mais confortável dormir no banco de trás de sua BMW, Audi ou Mercedez. Realmente a saúde perde de goleada para a estética. Talvez, por isso, há tantos carros novos e importados na mesma cidade onde só tem casas e prédios feios e mal conservados. Há tantos automóveis para vender e casas para alugar.

 

          Texto publicado na coluna Roendo as Unhas do jornal Correio do Pampa, no dia 25 de junho de 2007 (Sant'Ana do Livramento).  

  • criado por  Duda Amaral criado por Duda Amaral
  • Postado em 21:27:26