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O dia 10 de junho já está terminando, mas, antes que batam as doze badaladas marcando o início desta quarta-feira, ainda há tempo para uma homenagem a um grande artista que tive o prazer de vislumbrar sua arte dentro dela própria. Nesta terça completa 82 anos da morte do arquiteto catalão Antoni Gaudí, um dos símbolos mais cultuados da cidade de Barcelona e principal responsável por torná-la uma das capitais da arquitetura moderna no planeta.

Colunas de pedras esculpidas no Parque Güell
Hoje, suas obras são os principais cartões postais de Barcelona. Dificilmente é possível entrar em algum dos prédios projetados pelo artista sem esbarram em outros milhares de turistas do mundo todo. E a forma e a beleza de seus trabalhos são únicas. Gaudí teve, inicialmente, uma forte influência da arquitetura gótica, mas com o tempo passou a adotar um estilo de escultura pessoal, projetando edificações com as formas mais fantásticas possíveis e estruturas complexas para a sua época.

Casa Batlló, distante poucas quadras da Casa Milá
Entre suas características, ele abusava de peças de cerâmicas quebradas para compor as superfícies de seus trabalhos e fazia muito uso também de arcos parabólicos catenários, uma das formas mais comuns na natureza. Para entender, o arquiteto usava correntes metálicas presas pelas extremidades, quando elas ficavam estáveis, copiava a forma e reproduzia-as ao contrário, formando suas conhecidas cúpulas catenárias. Mas todo o seu talento na época, final do século XIX e início do XX, era ridicularizado por seus contemporâneos. As suas obras só saíram do papel graças ao empresário Eusebi Güell, que foi seu principal cliente... o seu mecenas.

Maquete da Casa Milá (La Pedrera) em exposição no próprio prédio
Gaudí era um nacionalista catalão, o que era considerado quase subversão pela Coroa Espanhola, e crítico da Igreja. Atitude abandonada com o passar dos anos quando se tornou um fervoroso católico e dedicou seus últimos 12 anos a mais brilhante de suas criações: o Templo da Sagrada Família, até hoje não concluída e em torno da qual se levantaram lendas de tragédias que acompanhavam os profissionais que tentassem finalizá-la. Está em curso um movimento em favor da beatificação do artista pela Igreja Católica promovido desde 1992 por uma associação secular.

Sua obra-prima: a Sagrada Família
A minha opinião depois de conhecê-la, ver a lentidão dos operários dentro do grandioso saguão e conversar com alguns catalões: a cidade de Barcelona parece não querer terminar a maravilhosa escultura de Gaudí propositalmente para manter uma tradição de décadas e promover mais ainda o turismo. Porém, pronta ou não, ela é hipnotizante, há detalhes em cada pedaço de pedra, em cada parede, em cada porta. Além da Sagrada Família, Antoni Gaudí deixou seu talento registrado em prédios como a Casa Batlló, a Casa Milá (mais conhecida como La Pedrera), Casa Calvet e no magnífico Parque Güell, talvez o lugar mais bonito de Barcelona.

O Dragão do Parque Güell, um dos símbolos de Barcelona