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A própria antropóloga evitava ser chamada de Primeira-Dama, além de trabalhar fundo em questões sociais e até nas decisões políticas do governo de ser marido, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para tentar fugir desse rótulo que ela considerava muito norte-americano para descrever simplesmente a mulher do presidente.
Desde Sarah Kubitschek o Brasil não tinha uma... digamos, primeira-dama tão influente e ativa como a dona Ruth Cardoso. E seu valor torna-se mais alto quando notamos hoje a valorização das mulheres dos grandes líderes mundiais mais por sua beleza que por sua competência. Dona Ruth nunca foi lembrada por sua beleza como atualmente existe um frenesí pela primeira-dama Carla Bruni. Tampouco esteve apenas como decoração ao lado do marido como a maioria, inclusive as brasileiras, das mulheres. Ela foi ativa, ainda que discreta, e teve influência em muitas decisões de FHC e do PSDB.
Foi Ruth Cardoso quem influenciou o então presidente lançar o nome de José Serra para a sua sucessão. Também foi dela os argumentos para seu marido nomear Gustavo Krause e Reinhold Stephanes como ministros de seu governo. Durante os oito anos de Fernando Henrique no Planalto, ela lançou e comandou o programa Comunidade Solidária, principal cartão de visita do Governo FHC nas questões sociais junto com a Bolsa Escola.
Ruth Cardoso estava casada com o ex-presidente Fernando Henrique havia 56 anos. Durante o regime militar, o casal esteve exilado no Chile e na França. Antropóloga de formação, foi professora nas universidades de São Paulo, Chile e nas norte-americanas Columbia e Berkeley. Publicou vários livros sobre antropologia e tendo como temas a imigração, os movimentos sociais, a violência e o trabalho. Antes mesmo de sua morte, Dona Ruth já era uma referência como autora nos cursos de Antropologia de todo o país.
A ex-primeira-dama morreu nesta terça-feira, por volta das 20h40min, aos 77 anos. Ela nasceu na cidade de Araraquara, interior de São Paulo, no dia 19 de setembro de 1930. Na semana passada, ela realizara exames no Hospital Sírio Libanês devido problemas cardíacos. Ela sofreu um infarto e morreu no apartamento da família, bairro Higienópolis, São Paulo, ao lado do filho Paulo Henrique. Por evidente merecimento, Brasil deverá conceder três dias de luto em sua homenagem.
criado por Duda Amaral
23:58:21